
Fatos do dia-a-dia
Mais outro amanhecer e continuo sem entender
Dia frio, cinza, vazio, caminho só pensando
Sorvendo cada momento, absorvendo cada resquício de sentimento
Tentando compreender o vazio que há na cidade
Pobres daqueles que encarcerados em seus condomínios buscam segurança
Em seu refúgio de grades e cercas elétricas
Tentam se afastar da realidade dura que os cerca
É, deve ser muito sofrido, parar com seu automóvel de luxo
Temperatura amena, cercado de conforto
Em um farol, onde um ser lhe aborda para vender bala
Um ser sujo, mal vestido, sobra da sociedade
Pela repulsa, é claro, muito compreensível, nem se dá ao trabalho
De apertar um botãozinho, que é isso? Iria abafar seu ambiente
Impregnar um local que estava tão agradável.
Dispensar sua preciosa atenção àquele ser inútil, pra que?
Não colocara no mundo, não fora sua genitora
Nem tampouco, responsável pela situação ultrajante em que vive?
Imagine, prorrogar seu compromisso importante
Afinal aquela bolsa Louis Vuitton não pode esperar
São gêneros de primeira necessidade!
Para simplesmente dar um trocadinho em troca de uma bala.
Trocadinho? Não teria, afinal é muito perigoso,
Numa cidade violenta, andar com dinheiro na bolsa?
Carrega simplesmente seus múltiplos cartões internacionais,
Todos com seguro anti-furto, é claro.
Não por favor, não toque no vidro, iria manchá-lo, esses dedinhos sujos, suados,
Afinal o farol já abriu, e poderá livremente abordar outra pessoa digna como ela.
E lá se vai, continuar seu trajeto até o shopping
E eu, admirando estes longos segundos, a digerir suas reações
Concluo: Pobres seres vazios, fúteis, corrompidos pela sua mediocridade
Incubados em seus mundinhos de luxo alheios à existência humana
Escrito por Lys às 22h26
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