
Ausências
Nestas noites intermináveis bebi
Do veneno leve e suave
Conheci o mais temido e evitado
De todos os sentimentos
Doce sutil e sereno
Inimigo dos amantes
A incerteza...
Sorvi todo encanto
Degustei a beleza celestial
A leveza perfeita e duradoura
Dancei em meio a silhuetas esbeltas
Companheiras fiéis
Viajei por entre sorrisos alados
Percorri um horizonte colorido
Vasculhei cantos e recantos
Me desencantei, me desencontrei.
Iniciou a derrocada
A tristeza dura e ferina
Amarguei o fel da despedida
Noutro espaço me encontrei
Naveguei por oceanos desconhecidos
Lágrimas, chuvas ácidas
Inundaram meu corpo
Me sugando, me comprimindo
Cheguei a tocar no fundo
Senti-me no limbo, no lodo,
Turva escuridão, negro vazio...
Dias eternos sem luz...
Pulsação, contrações, impulsão
Sensações à flor da pele
O reencontro: Tua mão a me puxar
A me resgatar, a me conduzir,
Me tirando da catarse
Emergi... aos poucos... lentamente...
A curva espaço/tempo se desfez
Me restabeleci, me centralizei.
Nos encontramos novamente.
Ficando a certeza,
Tua ausência é a presença mais completa de declínio.
Escrito por Lys às 07h30
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