Vaguei perambulando noite adentro
Vasculhei gavetas e armários
Busquei lembranças esquecidas, lacradas
Onde deixei estes caminhos bifurcarem?
Encontrei fotos, cartas, bilhetes
Até mapas e estradas traçadas
Tortos rabiscos
Mas ainda únicos
Nenhum vestígio, nenhuma pista, nenhuma sombra
Alicerces inabaláveis ruíram
Caíram por terra
Cogumelo uniforme de poeira
E eu, em meio aos destroços, tento reconstruir
Juntar este imenso quebra-cabeças
De pedras disformes que não se encaixam
Ou, não se re-encaixam
Em qual esquina me perdi?
Em qual semáforo me esquivei?
E agora me deparo com esta placa:
“Rua sem saída”
Deve haver um muro a pular,
Um desvio a fazer,
Um retorno a recorrer,
Uma seta a seguir...
Escrito por Lys às 22h22
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